Abóbora é um dos alimentos que me fizeram colocar em prática todos os meus conhecimentos em comportamento alimentar infantil. E só mesmo com muita informação pra não se render às inúmeras negativas das crianças.

O purê de abóbora foi uma das preparações preferidas dos meus 3 filhos quando bebês. Tiago segue amando até hoje, mas a Luiza, no auge da clássica fase de recusas alimentares, por volta dos 3 anos de idade, decidiu que não gostava mais e, pouco tempo depois, a Laura seguiu pelo mesmo caminho.

Recusa nunca foi um problema aqui em casa. É absolutamente compreensível a falta de vontade de comer determinado alimento. Nunca houve coação ou recompensa. Coloco na mesa alimentos que julgo importante serem ofertados em determinada refeição e respeito a decisão do que e quanto as crianças irão comer. Se até eu, adulta e consciente, muitas vezes não tenho vontade de comer algo, por que seria diferente com os pequenos?

Apesar da negativa das meninas, o purê de abóbora continuou fazendo parte do cardápio de casa por 2 motivos justificáveis: porque eu adoro essa preparação e porque entendi que muito provavelmente era uma recusa temporária, dado que a aceitação já tinha ocorrido no passado.

Inúmeros foram os almoços em que comi sozinha o tal purê de abóbora. Aveludado,
levemente doce, faz dupla perfeita com um peixe branco com crosta crocante. A cada garfada as meninas viam no meu rosto o prazer em comer aquela maravilha culinária (sim, eu amo profundamente purê de abóbora!). Vez ou outra eu verbalizava meu deleite “vocês não sabem o que estão perdendo”, “está maravilhoso”. E seguíamos o almoço tranquilamente.

Por volta dos 5 anos da Luiza, minhas silenciosas investidas surtiram efeito: “Mamãe, esse purê está bom mesmo? Quero experimentar!” E , por ver a irmã comendo, a Laura também aceitou naquele dia.

Desde então, depois de 2 anos (!!!) o purê de abóbora reina soberano nos almoços da família!

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Da teoria à prática:
– Entendimento que a recusa alimentar é comum a partir de 1,5 até perto dos 5 anos.
– Aceitação da recusa, sem confronto ou recompensa, mantendo ambiente tranquilo e
acolhedor.
– Apresentação constante do alimento, variando a forma de preparo (por aqui teve também quibebe e quibe de abóbora, mas a insistência no purê foi uma preferência pessoal mesmo!)
– Presença de adulto como exemplo para o desenvolvimento de preferências e hábitos
alimentares.
– Estímulo extra: presença de crianças na refeição, dado que as crianças estimulam umas às outras enquanto comem.

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